sexta-feira, 4 de julho de 2014

O uso do Mabthera no tratamento do Linfoma Folicular



O Mabthera (Rituximab) é um anticorpo monoclonal indicado para pacientes com Linfoma não-Hodgkin (LNH) positivos para CD20, notadamente o Linfoma Folicular (a segunda forma mais frequente de LNH, também conhecido como Linfoma Indolente), em associação com o regime de quimioterapia adotado pelo médico, com a finalidade de aumentar as possibilidades de cura ou de sobrevida livre de recaída da doença. Também é indicado para o tratamento de outras enfermidades, como a Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) e a Artrite Reumatóide.

O Mabthera atua agregando-se a uma proteína específica - o antígeno CD20 - sobre a superfície de células B normais e malignas, utilizando as defesas naturais do corpo para atacar e matar as células B doentes, sem destruir as células sadias, diferentemente dos demais quimioterápicos.

Além de poder ser utilizado no tratamento inicial do Linfoma Folicular em pacientes não tratados previamente, é usado como tratamento de manutenção de doentes que responderam à terapêutica de indução e é também indicado como segundo tratamento para pacientes em recaída (recidiva).

Estudos realizados pela European Organization for Research and Treatment of Cancer (EORTC) em 2006, mostraram que dois anos de terapia de manutenção com Mabthera aumentam significativamente as chances de sobrevivência de pacientes que sofrem de Linfoma Folicular. Ensaios clínicos comprovaram que o risco de vida em pacientes que receberam a medicação como terapia de manutenção em comparação com os que não receberam nenhum tratamento de manutenção, independente da sua terapia inicial caía para a metade.

Embora o Mabthera já seja amplamente utilizado na Europa e nos Estados Unidos para o tratamento do Linfoma Folicular há mais de uma década, no Brasil sua utilização somente teve início no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2012, e restringia-se ao tratamento de linfomas agressivos (como o que acometeu a presidente Dilma Roussef, em 2009). Somente a partir de dezembro de 2013, com a publicação da Portaria nº 63, do Ministério da Saúde, sua utilização no SUS foi ampliada para o tratamento do Linfoma Folicular.

Essa decisão veio após longo período de debates que tinham como ponto central a alegação das autoridades nacionais de que os estudos existentes não eram suficientes para comprovar a eficácia do medicamente que justificasse a relação custo x benefício em sua adoção ampliada pelo SUS.

Felizmente, a firme posição dos especialistas da área de saúde de que se tratava de uma avaliação equivocada; a concessão de liminares em inúmeras ações judiciais que determinavam o uso do Mabthera e a atuação de entidades de apoio a pacientes com câncer, a medicação teve seu uso ampliado para o tratamento do Linfoma Folicular e hoje é um direito de todos que enfrentam essa doença.

Assim, se o seu tratamento deve incluir o Mabthera, exija-o, faça uso do seu direto!

Para saber mais:






http://www.sidneyrezende.com/noticia/222670+ampliacao+do+uso+do+rituximab+contra+linfoma+nao+hodgkin+folicular+no+sus